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L. Fr.

Ich danke Ihnen bestens für Ihre «Respigos Camonianos»,[1] die mich im Allgemeinen und auch ganz im Besondern interessieren. Als ich meine Stanzen an Camões dichtete,[2] kannte ich von alledem, was Sie hier wieder ans Licht bringen, nichts; ich hoffe aber, es ist nicht Dichterneid wenn mir das erste Gedicht von N. Delius[3] in seiner Form nicht sehr gefällt; es macht einen etwas trivialen Eindruck («Gedicht auf Portugal», «Rolle von Papier»[4] u. dgl.). - Die Ableitung galéla von galla sagt mir zu;[5] und Ihre Bemerkungenregen mich zu einer kleinen Kritik an, die ich an Gröber schicken werde. - Scoriscatio (und dazu scoriscus aus dem App. Probi)[6] findet sich lange Jahre vor Rönsch gebucht, nämlich in meinem Vok. d. Vulgärl. II, 207;[7] es ist merkwürdig wie mich Rönsch überhaupt ignoriert (z.B. betreffs prode esse = prodesse).[8] - In der Hoffnung Sie demnächst auch geschrieben zu lesen, mit herzl. Gr.

Ihr Hugo Schuchardt



[1] (Leite de Vasconcelos 1904).

[2] Cf. Schuchardt (1880).

[3] Nikolaus Delius (1813-1888), professor de Anglística em Bonn e famoso pela sua edição de Shakespeare. Leite, que provavelmente o conhecia por meio de Wilhelm Storck, publicou versos seus a Camões no livro Respigos camonianos.

[4] Os sintagmas «Gedicht auf Portugal» e «Rolle von Papier» aparecem nos versos quarto e sexto, respectivamente, do poema de Delius, intitulado Camöens (pág. 32 dos Respigos camonianos; a tradução de Leite de Vasconcelos vem na pág. 33).

[5] Refere-se à longa nota 3 da página 45 (e 46) dos Repigos camonianos: «Relacionar-se-ha galélo com o lat. g a l l a «noz de galha», em virtude da fórma globular d'esta, com a qual se compararia a do bago da uva? Teriamos assim um supposto *g a l l e l u s como etymo; o mais na-[46]tural seria que de g a l l a se fizesse um deminutivo em -a mas cfr. bago a par de baga < baca, e, quanto á forma, cancêllo a par de cancella. O ter é a palavra galélo, em vez de ê, que é do sufixo -êllo, não faz objecção, porque no N. de Tras-os-Montes é substitue frequentemente ê – Tentador seria comparar com esta palavra a hespanhola galillo, que significa «uvula», é deminutivo de u v a; todavia em hespanhol esperar-se-hia que houvesse *gallillo, porque -LL- dão -ll- nessa lingoa –, a não ser que galillo se fórmasse por dissimulação. Com esta ordem de ideias não se rellaciona o facto de g a l l a ter em latim, além da sua significação propria, a de «mau vinho»; tal significação provém certamente do sabor amargoso e adstringente da noz de galha. Incidentemente notarei que o port. galha não vem de g a l l a mas de *g a l l e a, considerada como adjectivo: n u x *g a l l e a. – Segundo o sr. Candido de Figueiredo, galelo em Tras-os-Montes tem a significação de «gomo de laranja» (vid. Novo Dicc., s. v.); como porém não indica precisamente a localidade, não posso verificar se isto é exacto ou não.» Cf. o artigo de Schuchardt «Lat. galla», Zeitschrift für romanische Philologie, 29, 323-332, que começa citando os Respigos Camonianos de Leite de Vasconcelos.

[6] Schuchardt refere-se, em concreto, ao seguinte exemplo do Appendix Probi: «coruscus non scoriscus».

[7] Schuchardt (1867:207).

[8] Hermann Rönsch (1821-1888) foi um teólogo e linguista alemão que se dedicou, especialmente, ao estudo da Vulgata. Em questão estão aqui o seu Itala und Vulgata, das Sprachidiom der urchristlichen Itala und der katholischen Vulgata unter Berücksichtigung der römischen Volkssprache. Marburg: Elwert, 1875 [1869], 2ª ed., 468-469, e o Vokalismus de Schuchardt, Der Vocalismus des Vulgärlateins II. Leipzig: Teubner, 1867, 504.