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Brief (14-03888)

«Em Cananor há fanões d’ouro baixo, que alevantão e abaixão, e sua valia cumummente 13 ½ fanões, 13 ½ vallem hum pardão d’ouro, de 360 reis.

I, p. 33

Custa o baar da pimenta em cochim, deste peso velho, 160 (sic) fanões, de 19 fanões o cruzado d’ouro, per esta maneira, a saber: 6 ½ cruzados, e fanão se paga ao mercador[.]

I, p. 34

; e antiguamente se pagava ao senhor da terra setenta e quoatro [sic] e setenta e cinquo [sic] mil fanões, de dez ffanões [sic] o xerafim[.]

II, p. 244

e per esta maneyra valem a XX fanões e dez matyquaaes[.]

III, p 32 (f 21) à margem)

É provável que em Fernão Mendes Pinto1 (Peregrinações)2 haja menção desta moeda asiatica, cujo nome verdadeiro e primeira nacionalidade ignoro. Comecei em tempo a fazer a collecta do vocabulario dêste interessantissimo viajante português, está porem incompletissima, e não o encontro no que colligi.

O meu amigo Berkeley Cotter,3 que foi secretario de Antonio Augusto de Aguiar4 na India portuguesa e inglesa, tem uma moeda de ouro pequenissima, que lhe foi dada pelo medico e orientalista de Goa Gerson da Cunha,5 ao serviço da Inglaterra em Bombaim. Disseram lhe [sic] lá que se denominava fanal, que tivera curso em tempos remotos de dominio português, e que com ella eram pagas as pareas aos portugueses[.] Aqui vae o decalco e um desenho em tamanho natural do fanal, que é de ouro muito ligado. A moeda é serrilhada. Parece-me conter simples ornatos, ou marcas convencionaes sem valor de escripta.

Leite de Vasconcelos6 é de opinião que o , ou fom, como complemento de negação pode ser reducção de fá nom, por faz não, por não faz, não. É duvidoso tambem o etymon. Por outro lado acho violento suppor que uma moeda asiatica viesse a ser tam vulgar nas conquistas portuguesas, que o seu nome, passando de lá á costa oriental africana e desta á contra-costa, e tanto ao norte, descesse de até o dominio vulgar a tal ponto de inconsciencia do significado, que viesse a ser mera expletiva de remate de phrase. Não digo que seja impossivel, e basta pensar em mica, punctum, etc, creio apenas que é impossivel.

Agradeço lhe muito a remessa das observações ao trabalho de Psichari,7 e concordo perfeitamente com ellas. Fallarei a esse respeito mais tarde

Creia-me sempre
Sincero Admirador, amigo e gratissimo discipulo

Aniceto dos Reis Gonçalves Vianna


[1] Fernão Mendes Pinto (ca 1509-1583) war ein portugiesischer Entdecker und Schriftsteller.

[2] Pinto, Fernão Mendes. 1614. Peregrinaçam de Fernam Mendez Pinto em que da conta de muytas e muyto estranhas cousas que vio & ouvio no reyno da China, no da Tartaria , no do Sornau, que vulgarmente se chama Sião, no do Calaminhan, no de Pegù, no de Martavão, & em outros muytos reynos & senhorios das partes Orientais, de que nestas nossas do Occidente ha muyto pouca ou nenhu[m]a noticia. E tambem da conta de muytos casos particulares que acontecerão assi a elle como a outras pessoas. Lissabon: Pedro Crasbeeck.

[3] Jorge Cândido Berkeley Cotter (1845-1919) war ein portugiesischer Geologe.

[4] António Augusto de Aguiar (1838-1887) war ein portugiesischer Politiker und Wissenschaftler, der Chemie auf der Escola Politécnica und auf dem Instituto Industrial de Lisboa lehrte.

[5] José “Joseph“ Gerson da Cunha (1842-1900) korrespondierte ebenfalls mit Schuchardt [Korrespondenzpartner: 339].

[6] José Leite de Vasconcelos (1853-1913) korrespondierte ebenfalls mit Schuchardt [Korrespondenzpartner: 999].

[7] Schuchardt, Hugo. 1888. '[Rez. von:] Psichari, Jean, Quelques observations sur la phonétique des patois et leur influence sur les langues communes'. In Literaturblatt für germanische und romanische Philologie 9: 481-490. [Archiv-/Breviernummer: 216]